quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Eurofarma e Cristália costuram acordo

Eurofarma e Cristália costuram acordo
15/12/2010 - Valor Econômico


As farmacêuticas nacionais Eurofarma e Cristália estão costurando um acordo para o desenvolvimento de medicamentos. O anúncio deverá ser feito nas próximas semanas.
Com tradição em inovação e pipeline (produtos em fase de desenvolvimento), a Cristália tem um portfólio com forte potencial de apelo no mercado, sobretudo na área de anestésicos, que interessa à Eurofarma.
Procurada, a Cristália informou que esse possível acordo ainda está em fase embrionária. Maria Del Pilar Munoz, diretora de sustentabilidade e novos negócios da Eurofarma, afirmou que "as companhias estudam um modelo de negociação sinérgico para as duas empresas". A executiva descartou fazer fusão entre os dois laboratórios ou adquirir uma participação na Cristália.
As duas farmacêuticas nacionais estão conversando há alguns meses sobre esse novo modelo de negócios. Com expertise em inovação, a Cristália está desenvolvendo novos medicamentos, com possibilidade de serem aprovados no mercado nacional. A Eurofarma, com maior escala em território nacional, tem condições de fazer a distribuição e promoção desses produtos no mercado interno.
Na semana passada, a Eurofarma anunciou a compra do laboratório Segmenta, com sede em Ribeirão Preto (SP). Essa transação foi a porta da entrada da a companhia no mercado de soro hospitalar, área onde o laboratório paulista ainda não tinha participação. A empresa já atua no segmento hospitalar, com fornecimento de medicamentos injetáveis. O valor do negócio não foi divulgado. Fontes do setor afirmam, contudo, que a compra saiu por volta de R$ 400 milhões. A executiva não confirmou esses valores, mas afirmou que foi a maior aquisição da história do grupo farmacêutico.
Com faturamento estimado entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão para 2010, ante R$ 1,2 bilhão em 2009, a Eurofarma também fechou este ano importante parceria com a Pfizer para produzir a versão genérica do medicamento Lipitor (usado no combate ao colesterol elevado). Esse remédio, o mais vendido no mundo, com receita anual em torno de US$ 13 bilhões, teve sua patente expirada no Brasil este ano. A companhia está de olho em aquisições dentro e fora do país.
Essa não é a primeira vez que a Cristália fecha um acordo nos mesmos moldes do costurado com a Eurofarma. Em novembro, a companhia firmou parceria com a farmacêutica suíça Actelion, na qual as duas empresas passam a desenvolver e promover no Brasil um medicamento pesquisado pelo laboratório nacional para o combate de hipertensão pulmonar. Essa doença, que provoca pressão nas artérias pulmonares, é considerada rara e fatal, na maioria dos casos. A base desse medicamento é o princípio ativo do Helleva, concorrente do Viagra (da americana Pfizer), para combater a disfunção erétil, e que foi desenvolvido pelo laboratório paulista.
Em recente entrevista ao Valor, a Cristália informou que não pretende vender o controle da empresa e que a companhia vai dar prioridade a parcerias para expandir seu portfólio de produtos no país.

CNI atuou para atrasar projeto que não reconhece patentes anti-Aids

CNI atuou para atrasar projeto que não reconhece patentes anti-Aids
16/12/2010 - Folha de S.Paulo


Lobby no Congresso foi incentivado por EUA, mostram telegramas

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) fez lobby na Câmara dos Deputados em favor de farmacêuticas multinacionais para retardar a tramitação do projeto de lei que deixa de reconhecer patentes de drogas anti-Aids no Brasil. A proposta tramita há sete anos.
A negociação foi incentivada pela Embaixada dos EUA no Brasil, em 2005.
"Incentivamos que as empresas farmacêuticas dos EUA trabalhem junto com a CNI para montar uma estratégia de melhor informar o Congresso brasileiro sobre as potenciais consequências negativas das licenças compulsórias", diz trecho de telegrama assinado pelo ex-embaixador John Danilovich.
O documento faz parte dos despachos obtidos pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch). A Folha e outras seis publicações têm acesso antecipado aos papéis.
À época, era grande a tensão em torno da ameaça de quebra de patente de medicamentos anti-Aids. Em 2007, o governo Lula determinou o licenciamento compulsório do remédio Efavirenz, do laboratório americano Merck Sharp & Dome.
Danilovich relata que o Ministério da Saúde vinha fazendo lobby para aprovação do projeto e diz que, de acordo com o embaixador Clodoaldo Hugueney, o melhor seria que as empresas trabalhassem junto ao ministério para dissuadi-lo.
"Ele também salientou a importância de parar a legislação no âmbito do Congresso", diz outro trecho.
Já Otávio Brandelli, da Divisão de Propriedade Intelectual do Ministério das Relações Exteriores, sugeriu, ainda segundo Danilovich, que as farmacêuticas se aproximassem de Eduardo Campos, ex-ministro da Ciência e Tecnologia, outro possível aliado no governo Lula.

OUTRO CASO
A preocupação em proteger as patentes de medicamentos também aparece no relato sobre o caso do laboratório americano Gilead.
Em 2008, a empresa teve pedido de patente rejeitado para um droga anti-Aids (Tenofovir). A alegação do departamento de patentes do país foi falta de inovação tecnológica. Para o governo, isso abrirá caminho para a produção de genéricos do medicamento.
Em despacho de 2009, a Embaixada dos EUA reconhece que, em razão das eleições deste ano, os temas propriedade intelectual e proteção de patentes não teriam espaço para discussão.
"Dada a crença popular de que as patentes farmacêuticas beneficiam as empresas multinacionais em detrimento do público brasileiro, as reformas para fortalecer o sistema de patentes do Brasil não são votos vencedores e, portanto, não são suscetíveis de serem buscados ao longo dos próximos 12 meses", diz um despacho, da diplomata Lisa Kubiske.

Novartis Compra Alcon

A empresa farmacêutica suíça Novartis alcançou um acordo com acionistas minoritários da Alconpara completar a compra de US$ 51 bilhões da empresa de produtos oftalmológicos, o maior acerto desta natureza na história corporativa suíça. A Novartis disse que o custo de adquirir a fatia minoritária remanescente na Alcon de 23% é de US$ 12,9 bilhões, ou cerca de US$ 1 bilhão a mais do que tinha oferecido inicialmente.
Analistas do Zuercher Kantonalbank disseram que o acordo afasta incertezas que o mercado poderia ter com relação à Novartis e vai ajudar a companhia a aproveitar melhor o amplo portfólio da Alcon em medicamentos oftalmológicos, soluções de lentes de contato e produtos cirúrgicos oftalmológicos.
A Novartis vai pagar aos acionistas minoritários da Alcon o equivalente a US$ 168 por ação, um aumento de 9% em relação à primeira oferta, de US$ 154 o papel. Os acionistas minoritários da Alcon tinham rejeitado a proposta anterior da Novartis e ameaçavam com uma ação jurídica alegando que eles receberiam menos por ação do que o principal acionista da Alcon, a Nestlé.
A Novartis notou que a combinação da Alcon com sua divisão de cuidados oftalmológicos vai produzir economia de custo anual de US$ 300 milhões. "Com este passo, a Novartis assume o controle, tornando-se a líder global em cuidados com os olhos", sustentou o presidente da Novartis, Daniel Vasella, em nota. A nova divisão de cuidados oftalmológicos vai incorporar a CIBA Vision da Novartis.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Aprovado hoje o Projeto de Lei n. 7445/10, que altera a Lei n. 8080/90 para dispor sobre a assistência terapêutica e a incorporação de tecnologia em saúde no âmbito do SUS

Aprovado hoje o Projeto de Lei n. 7445/10, que altera a Lei n. 8080/90 para dispor sobre a assistência terapêutica e a incorporação de tecnologia em saúde no âmbito do SUS

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados, aprovou hoje, dia 14 de dezembro de 2010, em caráter conclusivo, isto é, não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo, o Projeto de Lei n. 7445/10, do senador Flávio Arns que altera a Lei n. 8080/90 para dispor sobre a assistência terapêutica e a incorporação de tecnologia em saúde no âmbito do SUS


O Projeto de Lei teve origem no Senado Federal inicialmente como PL n. 219/07 do Senador Tião Viana e depois como PL n. 338/07 do Senador Flávio Arns. O texto aprovado no Senado e na Câmara Federal é resultado da discussão dos dois projetos citados.

O texto aprovado define que os protocolos clínicos e as diretrizes terapêuticas deverão estabelecer os medicamentos ou produtos necessários nas diferentes fases evolutivas da doença ou do agravo à saúde de que tratam, bem como aqueles indicados em casos de perda de eficácia e de surgimento de intolerância ou reação adversa relevante, provocadas pelo medicamento, produto ou procedimento de primeira escolha.

A incorporação, a exclusão ou a alteração, pelo SUS, de novos medicamentos, produtos e procedimentos, bem como a constituição ou a alteração de protocolo clínico ou de diretriz terapêutica, são atribuições do Ministério da Saúde, assessorado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS levará em consideração, necessariamente:
I – as evidências científicas sobre a eficácia, a acurácia, a efetividade e a segurança do medicamento, produto ou procedimento objeto do processo, acatadas pelo órgão competente para o registro ou a autorização de uso;
II – a avaliação econômica comparativa dos benefícios e dos custos em relação às tecnologias já incorporadas, inclusive no que se refere aos atendimentos domiciliar, ambulatorial ou hospitalar, quando cabível.

Conforme o texto aprovado são vedados, em todas as esferas de gestão do SUS:
I – o pagamento, o ressarcimento ou o reembolso de medicamento, produto e procedimento clínico ou cirúrgico experimental, ou de uso não autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa);
II – a dispensação, o pagamento, o ressarcimento ou o reembolso de medicamento e produto, nacional ou importado, sem registro na Anvisa.


Fonte: CONASS

Internet, a maior concorrente dos consultórios médicos.

Internet, maior concorrente dos consultórios médicos
14/12/2010 - Valor Econômico
A internet é um concorrente e tanto para os médicos e contribui para o uso maior e indiscriminado de medicamentos. "O Dr. Google é nosso maior competidor. Os pacientes chegam aos consultórios portando diagnósticos, submetem os médicos a uma inquisição e chegam até a mudar os sintomas para que fiquem semelhantes aos obtidos nos sistemas online", relata o toxicologista do Hospital da Clínicas Anthony Wong, para quem o uso maior de medicamentos tem correlação com fluxo também maior de informações. "Na internet existem trocas de experiências, relatos. Nos grandes jornais brasileiros, as sessões de saúde só têm crescido. Ocupavam uma página, agora têm duas ou três", informa.
Pesquisa Ibope realizada com cerca de 18 mil pessoas em regiões metropolitanas brasileiras, entre o ano passado e meados deste ano, confirma o interesse geral da população sobre produtos farmacêuticos. O maior apelo é nas classes D e E, com 40% dos entrevistados considerando "importante" conhecer "lançamentos", ante 34% em média do universo consultado.
No Brasil, 39% dos internautas usam a rede para procurar informações sobre o assunto. Esse percentual sobe a 60% quando se consideram os internautas com nível superior, relata o Comitê Gestor da Internet no Brasil.
Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da USP, via web, sobre os hábitos dos pacientes na internet mostra que 83% buscam informações sobre saúde na rede; 85% dizem que voltam a fazer pesquisas online mesmo depois da consulta médica; e 50% dos médicos reagem mal se o paciente traz informações prévias.
Nos Estados Unidos, 60% dos adultos fazem busca sobre saúde na internet e afirmam que os resultados encontrados acabam exercendo influência sobre o tratamento da doença, mostra pesquisa realizada pela Pew Research Center's Internet e California Health Care Foundation. A pesquisa revela ainda que os americanos, mesmo conectados ao mundo online, continuam a recorrer às fontes tradicionais de informação. Quando precisam de informação ou assistência em saúde e assuntos médicos, 86% dos americanos consultam profissionais de saúde; 68% trocam ideias com um amigo ou membro da família; 57% utilizam a internet; e 54% recorrem a livros ou outras publicações impressas.
"O paciente tem o direto de se informar", reconhece o psicoterapeuta. "O paciente é dono do seu corpo. Mas daí a se automedicar há uma distância. O médico tem treinamento, tem experiência clínica. Isso é muito importante e deve ser valorizado. Por mais útil que sejam os diagnósticos por computador, é necessário que alguém interprete", diz.
Sérgio José Nicoletti, coordenador do Núcleo de Educação da Saúde da Universidade Federal de São Paulo, pondera que o consumo de medicamentos faz parte do ciclo econômico, mas é um consumo diferente. "Quando consumimos alimentos, roupas, automóveis, há busca pela satisfação. Esse consumo pode até gerar insatisfação, mas não nos deixa doentes. No consumo errôneo ou desinformado de remédios, além da perda pela não satisfação, há o risco de perda de saúde ou seu comprometimento."

Crescimento muda perfil do consumo de remédios - Matéria do valor econômico

Crescimento muda perfil do consumo de remédios
14/12/2010 - Valor Econômico

O ciclo econômico positivo da última década não mudou apenas a relação do Brasil com os seus parceiros comerciais e financeiros. Mudou também a relação do brasileiro com o seu corpo. A busca para alívio da dor deu lugar à preocupação com o bem-estar. O Brasil da inflação alta e das tentativas de estabilização monetária doía no bolso e nos ossos dos cidadãos. Hoje prevalece o interesse pela serenidade nas decisões e resistência às pressões decorrentes da competição profissional e também de fracassos. Analgésicos cederam lugar a anticoncepcionais, medicamentos contra distúrbios da tireoide e tranquilizantes.
Superadas as agruras da convivência com a hiperinflação, que consumiu a década de 80 e parte da década de 90, o brasileiro vibra com a expansão da atividade alçada a quase 8% neste ano.
Um mercado interno vigoroso embala esse crescimento com avanços históricos da renda e do emprego que propiciam maior acesso a bens de consumo e também à saúde e aos medicamentos. A velocidade da informação colabora com esse cenário e também acirra a disputa por mais eficiência pessoal e profissional. E desse receituário emergem as preferências de médicos e pacientes. Esses "consumidores privados" brasileiros puxaram as vendas de "remédio de marca" a quase 2 bilhões de unidades em 12 meses encerrados em julho de 2010 - num crescimento de 15% ante os 12 meses anteriores. Mais que o dobro do crescimento registrado pela IMS Health nos últimos anos. A IMS Health, empresa de pesquisa e consultoria para o mercado farmacêutico, atende também a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
"A relação dos ciclos econômicos com o consumo de medicamentos ocorre porque o ambiente é de pressão. Exigência de elevada performance, o que leva a consumo de ansiolíticos, como o Rivotril, que ajudam a enfrentar pressões sociais maiores", afirma o pediatra e toxicologista do Hospital das Clínicas, Anthony Wong. O psicoterapeuta Antonio Carlos Amador Pereira lembra que o fracasso na busca pelo poder também mobiliza as pessoas em direção às farmácias. "Foco muito fechado em dinheiro ou em poder é desestabilizador. O poder traz isolamento. E consequências", avisa.
Analgésicos e anti-inflamatórios que respondiam por 50% dos dez medicamentos mais vendidos em 1998 caíram a 30% neste ano. Indicativo de maior preocupação das mulheres com as perspectivas profissionais, turbinadas pela ascensão a postos de chefia, a venda de anticoncepcionais e preparados para distúrbios da tireoide agora disputam posição com o tranquilizante Rivotril no ranking que revela prolongada fidelidade dos brasileiros aos "clássicos" Hipoglós, Buscopan e Neosaldina. O Puran T4, preparado para tireóide, ocupa a segunda posição entre os "remédios de marca" mais vendidos de 2009 para 2010. "O uso desses preparados, e o Puran T4 é apenas uma das apresentações que estão no mercado, está diretamente relacionado a uma maior incidência de hipotiroidismo desencadeado por situações de estresse, particularmente, emocional", comenta o endocrinologista Meyer Knobel, chefe da Unidade de Tireoide do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina da USP. Ele confirma que as doenças da tireoide prevalecem cerca de oito a dez vezes mais em mulheres que homens. "Não existe uma explicação bem estabelecida, mas parece estar relacionada à questão hormonal e genética", afirma.
"A participação reduzida de anti-inflamatórios na demanda dos brasileiros por medicamentos é uma ótima notícia", afirma o ortopedista e professor de Medicina Sérgio José Nicoletti, coordenador do Núcleo de Educação da Saúde da Universidade Federal de São Paulo. Consultor de empresas na área de absenteísmo não planejado de causas médicas (faltas não programadas ou planejadas), Nicoletti afirma que desde os anos 90 o Brasil vem gastando muito com o tratamento e com benefícios previdenciários concedidos a empregados afastados do trabalho em decorrência de diagnósticos de doenças inflamatórias, para as quais não há evidências cientificamente estabelecidas. "Provavelmente, esse tipo de situação contribuiu muito para que a prescrição e o uso de medicamentos anti-inflamatórios, vendidos sem receita médica, tenham mantido esse tipo de medicamento no topo da lista dos mais vendidos nas duas últimas décadas. Como anti-inflamatórios apresentam efeitos colaterais não desprezíveis, a queda de seu consumo é alvissareira e deve diminuir os custos, tanto públicos, quanto privados, decorrentes de tratamento de complicações gastrointestinais e cardiocirculatórias, comprovadamente associadas com esse tipo de remédio", comenta o ortopedista.
Wong está convencido de que existe, sim, relação entre os ciclos econômicos e o consumo de medicamentos, mas não vê relação direta entre esse consumo e aumento de renda. "Os medicamentos são relativamente baratos. Quando alguém sente necessidade, comprará o remédio independentemente do preço. Veja o Viagra. Cada comprimido custa de R$ 30 a R$ 40 e tem homem tomando adoidado. Quando as mulheres querem ficar bonitas também gastam muito dinheiro, pouco importando a crise", comenta o toxicologista para quem a relação direta aumento de renda e consumo de remédios pode ocorrer em países pobres como os africanos. "O Brasil nunca foi um país pobre e está, há 40 anos, entre os dez maiores produtores farmacêuticos do mundo. O Brasil tem também grande diversidade. Já chegamos a ter 9 mil produtos farmacêuticos no mercado."
Antônio Carlos Amador Pereira, também professor de Psicologia da PUC-SP, pondera que seja pelo crescimento econômico efetivo ou uma "bolha" em alguns setores, a necessidade de consumir medicamentos é tão grande quanto de outros bens. "O consumo de remédios indica que as pessoas estão se cuidando mais, tendo acesso a planos de saúde e tendo condições de pagar. Mas não podemos esquecer que existe a automedicação que pode ser um meio mais rápido para satisfazer a necessidade de consumo", comenta Pereira que alerta para mais um estímulo a essa modalidade de consumo: a crença de que medicamentos mais sofisticados serão necessariamente mais eficientes. "O ácido acetilsalicílico parece pouco, ainda que perfeito para algumas situações", diz.
Drogas lícitas ou ilícitas vão atrás de quem tem dinheiro e são associadas, com frequência, a estresse e a status. "É assim com a cocaína", afirma o psicoterapeuta Antonio Carlos Amador Pereira que alerta para o fato de que os pobres estressados vão atrás de bebida. "Ainda assim, com a ascensão social, há uma evolução da cerveja até o uísque. Até o momento em que isso já não é mais suficiente para lidar com ansiedade ou estresse. Esses são os principais fatores que levam ao consumo de medicamentos que foram banalizados. Alguns entram na moda e até caem de moda. É o caso do Lexotan. O Vicodin, por exemplo, é moda nos Estados Unidos. É símbolo de status que é avaliado exatamente pela capacidade de consumo."
Wong, do Hospital das Clínicas, explica que o Lexotan e o Rivotril fazem parte do mesmo grupo de benzodiazepínicos considerados bastante seguros. Ambos pertencem à mesma classe do Valium. "O Lexotan ou Bromazepan, que é seu genérico, ajudam a pessoa a dormir melhor. O Rivotril está um passo adiante. Ajuda a diminuir a ansiedade, a enfrentar pressões e a síndrome do pânico e tem excelente efeito para fobia social."
Esse toxicologista identifica a urgência das pessoas em buscar saídas para pressões e alerta para os padrões de comportamento praticamente impostos a quem deseja trilhar a escala social. "A Ritalina, um anfetamínico muito consumido, tem o efeito da cocaína, pois propicia condições para a escalada rumo ao sucesso. Profissionais bem sucedidos sabem conviver socialmente, dão risada, sabem falar. Para os tímidos, é ainda pior. Parece que socialmente não há lugar para os tímidos. Nos últimos três anos, o consumo da Ritalina cresceu cinco vezes. Hoje em dia, até professoras indicam Ritalina para crianças com déficit de atenção. Mas o que acontece com frequência são os irmãos mais velhos pegarem os comprimidos para fazer bonito na balada."

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Eurofarma negocia aquisição da Segmenta - Valor econômico 10/12/2010

A Eurofarma, uma das maiores farmacêuticas nacionais, está negociando a compra da Segmenta, laboratório especializado em soro hospitalar, com sede em Ribeirão Preto (SP). Os detalhes da transação estavam sendo alinhavados ontem e a expectativa é de que a aquisição seja anunciada ainda hoje. Com a conclusão desse negócio, a Eurofarma entra no mercado de soro hospitalar, área onde o laboratório nacional ainda não tem participação. A empresa já atua no segmento hospitalar, com fornecimento de medicamentos injetáveis.
O valor do negócio não foi divulgado. Fontes do setor afirmam, contudo, que a compra não deverá sair por menos de R$ 400 milhões. Procuradas, a Eurofarma não comenta o assunto e a Segmenta não retornou aos pedidos de entrevista.
Com faturamento em torno de R$ 1,2 bilhão em 2009, a expectativa é de que a Eurofarma encerre este ano com receita entre R$ 1,3 bilhão a R$ 1,4 bilhão.
A farmacêutica nacional tem traçado como estratégia aquisições dentro e fora do país para expandir seus negócios. Neste ano, a empresa fechou importante parceria com a Pfizer para produzir a versão genérico do medicamento Lipitor (combate colesterol elevado). Esse remédio, o mais vendido no mundo, com receita anual em torno de US$ 13 bilhões, teve sua patente expirada no Brasil este ano.
A compra da Segmenta, cujo faturamento é estimado em R$ 200 milhões para 2010, intensifica a atuação da Eurofarma na área de soro hospitalar. O laboratório de Ribeirão Preto, presidido por Omilton Visconde Jr., fazia parte dos ativos que ficou de fora da farmacêutica Biosintética, vendida em 2005 para o grupo Aché. Depois de uma forte reestruturação, a Segmenta decidiu fazer suas apostas em soro hospitalar, segmento em expansão no país e que movimenta cerca de R$ 1,2 bilhão por ano, e atua no setor de saneantes (assepsia hospitalar).
Em recente entrevista ao Valor, Visconde informou que a empresa pretendia fazer aquisições ainda este ano na área de saneantes para expandir sua atuação nas regiões Sul e Sudeste do país. Fontes do setor afirmaram, contudo, que a gorda proposta da Eurofarma para adquirir 100% do controle da empresa derrubou por terra as intenções de crescimento do laboratório do interior de São Paulo.